Sufrágio

18 de set de 2011

A Fé na vida Eterna


 "A fé na vida eterna é energia para a vida".

Quem não crer na vida eterna assemelha-se a uma ponte que ruiu no meio do rio, e já não pode alcançar a outra margem. Pelo contrário quem tem fé, recebe das suas crenças asas com que pode remontar-se às maiores alturas, por cima do mundo. Não deixava de ter razão um sociólogo americano ao afirmar que a fé na alma imortal, e o esforço que se faz para lograr a eternidade é " o maior fato de civilização de toda a historia"; porque esta fé, ao fixar um objetivo à vida do homem transforma-a por completo.
A fé na vida eterna é que da ao Cristianismo a importância e valor, a sua força sublime e a sua magnifica atividade. É o objetivo que necessariamente temos de alcançar. Quem não vive a vida religiosa dos cristãos fervorosos, não pode conceber a imensa força moral que dimana da fé na vida eterna. Quanto não rezam e lutam os fieis para a alcançar! Quantas mortificações e outras boas obras não praticam! Precisamente por causa desta crença, existem os sacramentos, o sacrifício e a abnegação, os jejuns e a auto-disciplina, as igreja, os conventos, as imagens sagradas, os crucifixos, as peregrinações. Daí provém a luta incessante contra a nossa própria natureza propensa ao mal. Daí, ainda a grave seriedade com que se escutam as palavras do Senhor:  "Procurai por entrar pela porta estreita, porque vos asseguro que muitos procurarão entrar e não conseguirão".  Há quem nos lance em rosto que o Cristianismo amesquinha o valor desta vida, por falar continuamente da vida futura, e da eternidade. É exatamente ao contrario: a fé na vida eterna aumenta o valor da vida terrena.  Segundo o nosso modo de ver, a vida eterna depende da vida que se leve neste mundo. Por isto precisamente aos nossos olhos adquire um valor imenso a vida que aqui vivemos. Da fé na vida eterna nasce a preseverança incansável no trabalho. Isto parece uma contradição. Contudo, o trabalho fatigante e monótono de todos os dias sobre o qual se baseia e se sustenta a civilização humana, somente podem suportá-la aqueles em cuja alma a fé gravou, com fogo, a consciência do dever, a segurança de que cumprem exatamente os deveres da vida terrena. Por outra parte, a fé na vida eterna contem, igualmente, nos justos limites, o trabalho humano e o desejo instintivo de entesourar riquezas neste mundo. Quem não crer na continuação da vida terrena, cifra todo o seu afã, naturalmente, em apegar-se com os dez dedos ao dinheiro e aos bens materiais; não os repartirá com ninguém, e para os conseguir chegará a atropelar a todo mundo. Quem vive da fé na vida eterna, considera transitória esta vida, e não reconcentra nela todos os seus cuidados, todo o seu trabalho.  A este cristão fiel não lhe bastará tudo o que lhe possa oferecer o mundo. O que ele quer é a felicidade eterna. Tem por modelo do seu ideal a S. Filipe Néri. Ao ouvir o santo que o Papa queria faze-lo cardeal, lançou ao ar o barrete e exclamou :
- " Paraíso! O que eu quero é o paraíso e não a púrpura! ".
A estes homens, não lhe basta a "eternidade" que apregoam os incrédulos:
- " os teus átomos seguirão rodando sempre no espaço, já que nada se perde", " levantar-te-ão uma bela estátua"....
Oh! isto a mim não me basta. Ao morrer que não se escreva a minha vida com letras mortas, num papel morto; que não se me erija uma estátua, para que a minha imagem, talhada em pedra morta ou bronze, continue de pé, muda e cega, à beira do caminho.... Quero uma vida para além da morte. Quero a vida real, a vida eterna. Quem me criou para a vida eterna, há de dar-me então vida nova, uma vida mais bela, mais feliz e que nunca se extinguirá. Tal é o fim sublime para que nos impele a fé na vida eterna.

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